Jovem aprende cortar cabelos para abrir um salão com o irmão

Jovem aprende cortar cabelos para abrir um salão com o irmão

Linha de apoio
Sonho de J.F. é ter um futuro digno e dar melhores condições financeiras à sua família
Publicado em 09/08/2019 - Editado em 14/08/2019
Oficina da Prefeitura de Novo Hamburgo auxilia na ressocialização dos jovens da Case
Crédito
Betina Ludwig

Engana-se quem pensa que os sonhos só são possíveis em liberdade. O cenário sem belas paisagens e cercado por muros, grades e cadeados é o local da construção de um novo sonho para o jovem J. F., de 17 anos, que participa da oficina de cabeleireiro oferecida pela Prefeitura Municipal de Novo Hamburgo no Centro Socioeducativo (Case).

Em parceria com a Associação do Bem Estar da Criança e do Adolescente de Novo Hamburgo (Asbem), o curso faz parte do Programa de Desenvolvimento Municipal Integrado (PDMI) e pretende oferecer um futuro diferente e promissor para os jovens internos do local, como J.F., que quer abrir um salão e ensinar tudo o que aprender para seu irmão de 16 anos. “Assim como eu, ele queria fazer um curso como esse, sabe? Só que nunca tive condições de fazer. Então, o sonho dele também é o meu”, conta.

E já que o sonho é o mesmo, nada melhor do que já começar a colocar em prática. “Quando saio daqui nos finais de semana, repasso todo o meu aprendizado pra ele. Quero um dia ter um negócio pra gente”, fala o menino de olhos castanhos que enxerga na oficina uma oportunidade para mudar o seu destino e o da sua família. “Minha mãe não é de falar muito, mas dá pra perceber que ficou feliz. E isso me motiva. Até já estou cortando os cabelos dos meus colegas de setor”, comemora ele, enquanto participava de uma aula especial com o “barber” de Santa Catarina, Douglas Fernandes. “Aprendi muito, especialmente que precisamos ter um padrão para cortar os cabelos, ter disciplina e seguir regras. É a chave para o sucesso?”, disse ele, enquanto segurava um balão utilizado para desenvolver a sensibilidade dos meninos.

Histórias como a de J. F. são acompanhadas pela instrutora Ana Pureza que garante a motivação a cada encontro. “Quero mostrar para eles que podemos ser sempre melhores. Eles são atentos e extremamente interessados. Assim, vão percebendo uma possibilidade de crescer por meio do trabalho.”

O projeto tem o financiamento do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e integra o componente de Prevenção à Violência.